Em que ponto da vida é que percebi que ela não se apresentava para mim como para os outros?
Da singularidade da observação, da pouca partilha, do muito de escrever para não me incendiar tenho agarrado mundos paralelos em que apenas uns poucos sobrevivem. Isolados. Os de minha espécie acabam tanto quanto eu por se camuflar num aparente silêncio, escudo. A minoria que cohabita nos seus eus mostrados tem igualmente o temor do dedo apontado.
Eu aprendi a gerir os gritos, os risos, as chacotas. Já não os estranho, assumo-os o que leva inevitavelmente a terem algum receio de mim, das minhas reacções... Acham sempre que a louca vai ter um acto irreflectido, despir-se em plena luz do dia e numa rua de movimento, cantar uma ária do Rigoletto ou atacá-los.
Por vezes, sinto-me só. Tão solitária que nem mesmo os que partilham o meu mundo de inversos cá por dentro me acompanham.
1 comentário:
pelo que escreves neste post, um de nós deve ter sido clonado do outro.
qual?
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