Gosto de provocações. Têm o gosto do estímulo que a chuva dá quando cai fria sobre o rosto, os ombros e pinga na ponta do nariz. Arrepiam, convencem-nos a dar corridas e a esfregar as mãos à espera de um lume que não se vê.
Gosto das provocações que me fazem sem saber que mas dirigem. Porque não são as declaradas como os desafios que me revolvem o interior, são as olhadas, as murmuradas, as que não se proferem e desenvolvem batalhas nos inversos da memória. Passam o filme ao contrário, pedem que rebobinemos a essência do que se foi para captar o que se pode vir a ser.
Provoca-me mas não me avises, não me dês pistas, não te reveles, deixa-me ser eu a descobrir o teu espelho.