29/03/09

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Olha para mim e vê de todas as vezes aquilo que já viste porque sou mesmo assim.


Se achas que já conheces tudo de mim é porque apenas piscaste o olho ao meu contrário, do avesso tiveste resguardo e dos meus opostos nem mesma eu os desvendo todos.


Por isso, olha para mim, mas não me atravesses como se fosse transparente. Também não desvies o olhar como se fosse parede, procura, se não procurares fecho eu os olhos.

25/03/09

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Qual verdade?

A minha ou a dos meus outros? A deles a replicada dos meus sentires, da minha emoção, da minha fragilidade em exibir a verdade da verdade, ou tão só, ser assim descurada de escudos que me protejam de mim mesma...


Há vezes em que faço perguntas. Mas o meu temor é por adivinhar as respostas. Saber que são mentiras.

21/03/09

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Mandei-os embora, sentarem-se, deixarem-me sózinha na intimidade de mim mesma.

Não me deram importância, discutimos, tantos contra mim, hoje quero ficar só e sem a vossa companhia, ser apenas uma mulher banal sem contínuo desafio com os avessos, aversos, antónimos, consciências suplentes que tiram o sossego e que me fazem rir e chorar e parecer louca por mais ninguém vos ver e ouvir.


Perseguiram-me. Copiaram os meus gestos, a minha tosse, a minha imagem que olhei no espelho.


O contrário do que se vê sou eu. A direita parece a esquerda e assim sendo o coração pode estar no lado onde não está.


Mas eles estão, apenas brincam comigo às escondidas do reflexo. Acabam sempre por me fazer sorrir. Fiquem. Que sería de mim sem vocês...

17/03/09

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A aflição de criança no jocoso apontar e na malignidade inata não me trouxe traumas até aqui.
Aprendi a conviver, a calejar-me e a não me perturbar com essa continuidade que me atiram às costas como um manto que se arrasta trazendo poeira, pedras, lixo. Tão pouco se tornou pesado, alivia-se a experiência pelo deixar de importar...


Outra aflição sim, esta dolorosa e incompreensível pelo gozo orgasmático na forma como os grandes proferem saboreando, que a maligna sou eu. Sirvo-lhes de sobremesa.


Eu só quero ser eu.

13/03/09

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Entre o querer muito ver de uma vez e o fazer durar o momento, opostos que alimentam os segundos e não os gastam. É um orgia de sentimentos, emoções, rubor na face, frio na barriga, adivinhas saciadas e surpresas insuspeitas.

Eu estou ao meio. Aperto-me no meio.


E acho que se fechar os olhos e desejar muito, materializa-se a vontade.
Se fechar os olhos e desejar muito, nada será mostrado como esperado.


Estou no meio de gritos que pedem o silêncio, diz mas não com palavras, insinua mas não te mostres.
O meu avesso aprecia a dor desse meio, o meu inverso procura as espias que cravam positivo/negativo, dão luz às minhas noites. No meio está o coração.

09/03/09

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Uns quantos demoram alguns minutos das suas vidas a olhar. Não fazem comentários, engolem para dentro de si uma piedade triste e solitária pela minha aparente solidão e tristeza. Seguem caminho levando para as suas vidas o momento em que me olharam nos olhos e projectam-no num futuro envelhecido por uma loucura que me há-de atacar mais forte do que a que já possuo. Por agora recomendam aos mais novos que não se acerquem de mim nem me ofereçam respostas quando lhes estico uma flor arrancada do chão. Não se deve falar com estranhos. Ainda menos com uma mulher que vem para a rua quando chove a cântaros ou abre a janela de casa quando a trovoada se ouve. Ou quando assobía aos pássaros nos telhados ou chega no final de um dia de Verão de sapatos pendurados no ombro.Uns quantos nunca hão-de perceber que por vezes sou mesmo muito feliz.

05/03/09

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Se os outros não têm entendimento para mim que veleidade sería eu afirmar perceber o que os outros de mim são. E acho-me neste constrangimento de ser tão comum e condenatória perante os que fabrico como aqueles que respirando o mesmo ar que eu se acham no direito de me apontar o dedo como estranha, como desviada, como louca.


Mas os universos são diferentes, a rota que perseguem afasta-os diametralmente.


Eu não entendo os meus eus na totalidade mas recebo-os. Os outros não me querem nem pretendem usar de tempo para alcançar distância da ignorância que me atiram. Não sou eu que colido com o mundo deles, tão pouco os meus de mim que os pelejam; São mesmo eles que me rotulam e arquivam. Escondem-me.

01/03/09

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Era um gosto grande, não só de pele, de palavras, de adivinhas. Era um gosto daqueles de apertar, de sentir-se as mãos do gostar a envolver, sem perguntas sobre o futuro nem tristezas súbitas sobre o se.


Era um gosto tão grande que quase lhe deu medo. Antes de chegar ao medo, deixou as mãos esfriarem e eu vi que os opostos não são todos meus.