31/10/08

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Desde que não mostre indicios de violência, é deixar-me andar.
Entregue ao meu mundo.
Este tipo de pessoas como eu acaba sempre por fazer mais mal a si próprios do que a outrém.


(Psquiatra, algures perdido na minha infância)

28/10/08

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Há outros que me atentam o encanto tal como me encantei por ele.
Estão-me próximos, tocam-me as mãos, falam comigo no terno diálogo que arrasta outro duplicado por trás.
Leio-o, leio-os, não me excuso a esta absorvência nem devolvo vidro, transparente, ou aço, frio e opaco.
Permitam-me ser condenada nesta sede de vos descodificar, gostar, por vezes quase amar... mas depois voltas tu, vejo-te, lembro-te, memorizo-te nas palavras que invento na tua boca e fico feliz, e fico triste, e rio e mastigo o choro.
Dos opostos.
Atiro-me contra mim mesma e até te chego a roçar os ombros nesta queda em que me atiro.
Não fazes nada.

25/10/08

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Se algum dia ele vier a suspeitar desta minha fonte de alimentação no que lhe sinto, acho que nego.
A realidade é absurda.
Quero mantê-lo vivo e lindo, sem defeitos, sem desilusões. Amor de passagem, ao contrário das grandes tragédias em que um de nós tería de morrer.
Não quero morrer nem matar este sentir.
Melhor doer-me no silêncio do que doer em plena luz do dia com todas as aberrações como cenário.
Pois se até de olhos fechados o vejo.

23/10/08

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Estou envolvida emocionalmente com um homem.
Ele não sabe.
É perverso ser-se enamorada de alguém que não o sabe. É um avesso do que sería expectável, do tentar dar-lhe a conhecer.
Não é sedução, eu nada fiz para que acontecesse e ele tão pouco.
É cativar.
Tenho receio que se um dia lho demonstrar, este caminho se acabe num inverso, nas costas voltadas, na fuga estratégica e desculpada. Sería um ruír para mim.
Ele não sabe mas constrói-me por dentro, já fez um castelo.

20/10/08

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O meu avesso é o meu direito.
O meu oposto a minha direcção.
Uma lágrima, uma tragédia. Um sorriso, uma festa.

18/10/08

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Todas as pessoas fogem da dor.
Eu já a procurei.
Há vezes que tem mesmo que doer um bocadinho só que seja para se ter a certeza que é real.

16/10/08

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Primeiro consideraram-me geniosa.
Depois, mal amada e solitária.
A seguir esquizofrénica.
Bipolar também.
Tontinha a seguir.
Já desistiram.
Um caso perdido.

14/10/08

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Que direi a Pessoa quando um dia o encontrar?

11/10/08

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Sem me querer atirar para o lado pessoano, muitas vezes duvido da existência da Constança, vide alma que por aí circula.


A verdade não é única nem constante. Aprendi-o, contrariando toda a herança que me passaram, palmadas nas mãos, abanões no carácter, a pergunta sempre. Porquê?


Porquê eu?


Outros haverão que se questionam, mas não se expõem, camuflam-se de uma normalidade que ainda me deixa mais de nariz torcido e ao contrário, a andar com as mãos no chão.

10/10/08

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Por vezes penso que este é um legado demasiado pesado para se deixar seja a quem for.

Não o herdei de ninguém, não me circula nos genes.

Mas o contrário é tão verdadeiro, que me parece ser sangue, seiva, essência, carne, tudo aquilo que sou e me ergue e me faz caminhar neste carreiro oposto aos demais.


Serão os que vierem de mim tão iguais a mim?

Tão inversos de mim, que tão iguais?


Farei a partir desse dia uma batalha para os fazer direitos, certos, socialmente bem aceites para que se evite a dor do que sempre passei?


E não serei então, nesse dia, tão banal como os que condeno e a mim não me entendem?

09/10/08

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O meu inverso já me permitiu ao longo da vida, saír incólume de situações profundamente devastadoras.

Enquanto outros se rasgam em ansiedades e medos, fraquezas e tragédias, acontece-me ver o lado oposto dos acontecimentos, apanhar os estilhaços e fabricar destes tábuas de salvação.


Não sou melhor ou pior que qualquer um, apenas diferente.


Insconsciente, chamam-me entre dentes...

08/10/08

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Tenho paixão por paixão.
Preciso de me sentir enamorada constantemente e com intensidade.
Os homens não o entendem, acham-me leviana, sem fundamento.
O que eles não sabem é que os amo incondicional e brutalmente e que nenhuma outra mulher lhes dará o mundo que eu lhes mostro.
Deve ser por isso que não me perdoam...

07/10/08

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Posso parecer insconstante, indecisa, uma quase criança que tudo quer e por nada se decide.
Mas não é assim.
Sei bem o que desejo, o que procuro.
Apenas não se encaixa no que é habitual.
Condenam-me silenciosamente. Quase me ostracizam. Deixou de me incomodar, já o disse.
O meu pequeno grande mundo está cheio de cores e de fantasias, de aventuras e de amores.
Se quisessem parar um pouco para escutá-lo, talvez se rendessem como as crianças perante uma história de encantar.

06/10/08

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Não me atiro nesta aventura da escrita pela primeira vez. Desde que o sei fazer que sou acometida de um impulso incontrolável, criando personagens, desenvolvendo-os, femininos e masculinos, e muitos perecendo à minha vontade.

Não brinco aos deuses nem me considero possuída de alguma força divina. De facto, a minha orientação religiosa é nenhuma, crente em nada ou, fanática da minha força e vontade interiores.Este avesso que viro e faço direito, escondendo costuras ou pontos mal dados equilibra-me, estabiliza-me.

Talvez me faça bicho-do-mato neste mundo meu, não um reflexo do espelho tal síndrome de Alice mas uma cognitividade por vezes raiada da demência que os outros veem.

04/10/08

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Tenho paixão por flores.

Todas, sem favoritismos, a todas encontro a singular propriedade de nascerem de um botão verde, duro e sem graça para se transformarem numa obra-prima.

Algumas, dotadas do predicado do perfume encerram outros caprichos, mas mais não são do que armas defensivas. Outras, aliadas ao significado do que os homens lhes atribuem, passam à frente na preferência, mas eu a todas encontro encanto.

Talvez porque lhes acho muito do que sou nos gritos silenciados dos que por dentro de mim clamam o seu raio de sol.

02/10/08

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Esta mania de tudo enfiar em regras, modelos, números e tabelas dá comigo em doida.
Porque no fundo não fazem só às coisas, tentam emagrecer e engordar as pessoas para aí caberem. A standardização do espirito amarrota os sentidos e o primitivismo.
Em tudo semelhante ao canhoto, contrariado na sua natureza.
Por isso há muito deixei de calcar os eus, liberto-me viva.

01/10/08

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Não há como dizê-lo de outra forma: doida. Maluquinha de todo, da Silva mesmo.

Se em criança isso me trouxe lutas e perguntas, dissabores com os professores e os meus pais, na adolescência atirou-me para um quase completo isolamento ou no oposto, vitima dos rapazes que por me acharem pouco certa da cabeça, tomavam como garantido um certo facilitismo que nunca existiu.

Trepei. Em tamanho e no despertar da minha consciência.

Não posso dizer que seja uma pessoa socialmente bem encarada; sei conviver dentro das regras, mas escapo-me ao seu aperto mais pela actividade do imaginário do que propriamente pela passada das pernas. Continuam a ver-me como uma desviada. E eu finalmente, passados tantos anos entendo-me perfeitamente.