Lembro-me, quando criança, que havía um homem a quem chamavam perigoso. Era um mendigo, sujo, mal-cheiroso, como todos os homens que perdem o rumo de si. Falava sózinho, dizíam-me para não me aproximar que me faría mal, era louco.
O meu contrário atraía-se compulsivamente para ele, olhava-o por muito tempo e quando ele olhava para mim eu quase jurava que ele me sorría. Não tinha medo dele.
Escapei da vigilância e cheguei perto. Ouvi-o falar, a responder, não percebía as respostas. Hoje que ouço chamarem-me doida sei as perguntas e tudo faz sentido no mundo do homem perigoso.
2 comentários:
Tantas vez o perigoso que nos avisam é o nosso melhor protector.
Lá diz o ditado "Nem tudo o que parece é".
ainda bem que hoje sabes as perguntas. os que te avisavam possivelmente já morreram e, coitados,...
Enviar um comentário