Acordei a pensar que me chamavas, talvez um pesadelo te incomodasse. Nada, a tranquilidade dormia contigo. Reparei então na cama cheia, mais de nós dois, mais de muitos, mais de tantos opostos de mim que nem reconheci os rostos feios levando as mãos ao rosto.
Pela manhã falaste do meu pesadelo. Que pesadelo, pensava eu que esse era teu, não meu, e ainda assim às claras e de olhos bem abertos tinha eu visto tantos de mim enquanto tu dormias sossegado, olhando-me na crueldade das palavras atiçadas quando se repudia, outros que eu já havia sido, pequena, corrida, troçada, e de novo junto a mim a apontarem-me o dedo e a fazerem-me tão medrosa quanto um tempo escondido que calco para o esquecimento.
Não sei se sonho a dormir se ando acordada a regurgitar medos, revisitações inversas a mundos escuros em que a luz do teu ficar ilude-me.
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